O Átomo de Bohr
Física: Conceito e história — Por Jonas Floriano Gomes dos Santos em maio 21, 2011 as 17:08Atualmente pode ser dito que os físicos entendem a estrutura do átomo de maneira extraordinária, embora ainda existam muitas questões a serem respondidas. Após Rutherford, no início do século 20, realizar o experimento de bombardear uma fina placa de ouro e afirmar que o átomo era constituído de um núcleo positivo denso circundado por uma nuvem de elétrons, a concepção de átomo tomou um novo rumo. Assim, o átomo era então entendido analogamente como no modelo do universo, onde o núcleo faria o papel do sol e os elétrons o papel dos planetas.
Porém isso acarretava um problema teórico. Supondo, para simplificação, um átomo com um elétron em sua órbita e considerando essa órbita circular, existe claramente uma força centrípeta atuando neste elétron, sendo que esta força deve apontar para o centro, ou seja, o núcleo. Sendo assim, o elétron, em seu movimento orbital em torno do núcleo, deveria claramente dos resultados da física clássica perder energia, sendo esta energia perdida chamada radiação síncroton. Essa perda de energia faria com que o elétron desacelerasse rapidamente e “caísse” no núcleo atômico, vítima da força de atração coulombiana. Um cálculo realizado mostra facilmente que essa desintegração do átomo de um elétron seria praticamente instantânea, ou seja, a matéria como a conhecemos, estável, não chegaria nem ao menos a se formar.
Esse resultado, obtido dos cálculos da física clássica, não era nem de longe observado, visto que a matéria que forma nós, seres humanos, é toda constituída de átomos estáveis. Assim, era necessária uma nova visão sobre como abordar o problema. Niels Bohr, cientista dinamarquês nascido em 1885, ganhou o prêmio Nobel em 1922 por conseguir responder a essa questão. Bohr foi um grande físico teórico, destacando-se ainda quando estudante resolvendo um desafio de física teórica existência na academia de ciências de Copenhague.
Na época em que Bohr estudava a estrutura do átomo e suas radiações, já se tinham os primeiros resultados sobre a quantização da energia, postulada por Planck. Ele afirmava que a energia emitida por um corpo ideal, chamado corpo negro, era feita de maneira não continua, mas sim de maneira discreta, em pequenas quantidades fixas. O fator de multiplicação desta quantidade foi chamada de constante de Planck. Assim Bohr fez uso dos resultados da mecânica quântica para construir quatro postulados que explicariam a questão do não decaimento atômico. Tais postulados são:
- Os elétrons que circundam o núcleo atômico fazem isso em órbitas quantizadas, ou seja, existem certos valores de distância entre um elétron e o núcleo que não são permitidas.
- As leis da mecânica clássica não são validas na transição do elétron de um órbita para outra.
- Para saltar de uma órbita para outra, a energia emitida ou absorvida neste salto tem exatamente o mesmo valor da diferença de energia entre os níveis de transição envolvidos, ou seja, se as órbitas dos elétrons são discretas então a energia necessária para fazer um elétron sair de um órbita e ir para outra também é discreta.
- As orbitas que são permitidas para os elétrons em torno do núcleo dependem de valores discretos do momento angular do elétron. Aqui momento angular é análogo ao momento linear ou quantidade de movimento, porém no caso de um movimento circular. Desse modo, a equação do momento angular para o elétron é L = n.
, onde h com o “traço” representa a constante de Planck dividida por 2π.
Vale dizer que nesta relação entre o momento angular a constante de Planck, o valor mínimo para n é 1, ou seja, é impossível que L seja 0. Assim de acordo com tal postulado, não é permitido que o elétron “caia” no núcleo atômico, pois sempre existirá um raio mínimo, chamado raio de Bohr.
Assim, postulando essas quatro idéias, o movimento do elétron em torno do núcleo ficou até então explicado. Embora fossem postulados, Niels Bohr recebeu o prêmio Nobel em 1922 devido a sua teoria ser comprovada experimentalmente. Esse modelo do átomo de Bohr também é chamado de modelo semi-clássico do átomo, pois ao mesmo tempo em que trata o elétron como uma partícula, algo da mecânica clássica, também está relacionada com a constante de Planck e a quantização de energia, parte fundamental da mecânica quântica. Hoje em dia existem teorias sobre os átomos muito mais complexas, totalmente de caráter quântico. Porém para o caso de um átomo composto por apenas um elétron, a teoria de Bohr é totalmente aplicável.
Referência: Textos fundamentais da física moderna, Niels Bohr
Tags: Átomo, Átomo de Bohr, decaimento, Física, mecânica quântica










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