O Universo, mudo e escuro

Este assunto surgiu basicamente de duas motivações. A primeira foi de um pequeno trecho que li em um livro, algo como: nossos sentidos são incapazes de nos proporcionar uma avaliação clara do que se passa no universo à nossa volta. A segunda motivação, veio da discussão com um amigo sobre essa frase e mais alguns assuntos relevantes ao tema abordado. Meu amigo disse uma frase que considerei importante: o universo é mudo e escuro. Sendo assim, tentarei ao longo do texto dizer algo sobre essa afirmação, sempre buscando conceitos físicos que mostrem essa pequena frase ser verdadeira.

O som que ouvimos ao nosso redor. Podemos afirmar que o som nada mais é do que uma interpretação nossa do que acontece ao nosso redor, ou melhor, daquilo que está ao nosso alcance de “ouvirmos”. O que de fato acontece no universo em relação ao som, é que, quando um fenômeno que gera “som” ocorre, nada mais é do que vibrações de moléculas presentes no ar, que se propagam longitudinalmente, até atingirem nossos ouvidos. Após isso, nosso ouvido interpreta essa vibração e a transforma em algo que interpretamos como som. Quanto maior a vibração das moléculas, maior a intensidade do som. Desse modo, o som não é transportado de um lugar onde ocorreu um fenômeno até nós, e sim é gerado por nós mesmos, para podermos “sentir” aquilo que acontece a nossa volta. Será que interpretamos corretamente, através dos nossos sentidos, aquilo que é mera vibração de moléculas?

A luz que enxergamos. As várias cores que afirmamos enxergar podem ser entendidas, em física, como composta de alguns comprimentos de ondas definidos, ou freqüências. Praticamente como no caso do som, a luz se comporta como uma onda e existe um conjunto de freqüências chamado espectro visível a partir do qual todas as cores que enxergamos são formadas. A cada freqüência de uma dada luz, associamos um “pacotinho” de energia bem definido [Ver: O efeito fotoelétrico], e segundo a física é esse “pacotinho” de energia que chega até nossos olhos e é transformado, pelo nosso sistema ocular, em algo que enxergamos.

Sendo assim, podemos afirmar que de todos nossos sentidos que usamos para nos interagir com o Universo, ao menos dois deles são interpretações nossas do que acontece à nossa volta. De fato, existem muitos mais detalhes técnicos do que foi exposto aqui. A intenção foi apenas trabalhar em cima da frase, O Universo é mudo e escuro, de modo a mostrar que muitas das coisas, se não todas, que acreditamos ser característicos do nosso próprio meio, são antes interpretações de como vemos o mundo e não de fato como ele é.

About the author: Jonas Floriano Gomes dos Santos

Bacharel em Física pela Universidade Federal de São Carlos. Cursando Mestrado em Física na mesma instituição com o tema: Propagação de Perturbações Tensoriais em Cenários Cosmológicos.

2 comments to “O Universo, mudo e escuro”

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  1. Cecilia Ferreira - 31 de maio de 2011 at 15:31

    Fantástico. Essa informação vai execer em meu entendimento uma mudança que ainda não posso alcançar. Mas a sensação foi de que isso nos aproxima ainda mais daquele em quem a ciência custa a crer. Adorei!

    [Responder]

    Jonas Floriano Gomes dos Santos Resposta:

    Obrigado pelo comentário Cecilia. Que bom que gostou. Em relação à sua observação feita, na minha opinião acredito que hoje em dia o caráter cético da ciência não é unânime, sendo que existem professores de física em universidades que tem uma fé tão grande como qualquer outra pessoa e outros que não. Em relação ao texto, sua intenção foi mostrar que sem sempre a realidade que julgamos ver é a verdadeira. Algo como isso aparece em mecânica quântica, podendo ser um tema a ser discutido posteriormente.

    [Responder]

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