Tempestade Solar

A química do Universo — Por em maio 23, 2012 as 9:08

Recentes erupções do sol fizeram mais do que lindas auroras nos pólos” foi o que disse a NASA em relação à tempestade solar que durou de 8 a 10 de março deste ano (2012)1.  A geração de energia foi correspondente ao abastecimento da cidade Nova York (pouco menor que a cidade de São Paulo-26 bilhões kW de energia) por dois anos. Desde 2005 esta foi a maior dose de “aquecimento” que a Terra recebeu, o que faz-nos lembrar o quanto nosso planeta é vulnerável à grande estrela.

Composto, em sua maioria, dos elementos químicos hélio e hidrogênio (74,9% e 23,8%, respectivamente), o Sol é a maior estrela próxima da Terra.  Essa composição química foi herdada em partes pelo Big Bang (hidrogênio e hélio) e nucleossínteses estelares (metais como ferro e magnésio, por exemplo); ao todo, 67 elementos puderam ser detectados2.  E o que causou tanta emanação de energia e uma tempestade solar na Terra?

Numa manhã de setembro de 1859, o astrônomo Richard Carrington, na Inglaterra (observatório de Redhill) em sua rotina de observação da face solar, foi surpreendido por uma face emergente.  Aquele dia havia amanhecido diferente dos demais, e Carrington pôde notar, utilizando seu telescópio, presença de manchas escuras marrons, e então passou a esboçá-las. Por volta de 11:18 daquela manhã, o cientista observou que dois pequenos focos de luz em forma de feijão pareciam surgir de um grupo de grandes manchas solares. Durante o evento, o cientista tentou apressar-se para avisar alguém, porém ao retornar (cerca de seis segundos depois) não havia mais nada.

Cerca de 5 minutos depois, aquela mancha em forma de feijão tomou o que parecia ser 35.000 milhas (aproximadamente 56.000 km) da face do sol e esmaeceu aos poucos3.

Figura 1: Esboço desenhado por Carrington: A, B e C representam as manchas brancas no formato de feijão.

FONTE: PHILLIPS, T1

Este foi em relato do que pode ter sido a primeira tempestade solar registrada, sem maiores relatos de que chegou a atingir a Terra como a última ocorrida.

Da recente tempestade, Mlynczak, investigador da NASA que utiliza o SABER (Sounding of the Atmosphere using Broadband Emission Radiometry), pôde detectar, através das emissões no infravermelho da atmosfera superior, a agitação e aumento de temperatura das moléculas de CO2 e NO; tais moléculas são fundamentais no balanço de energia do ar a centenas de quilômetros acima da superfície do nosso planeta. Como principais termostatos, estas moléculas tentam o máximo possível verter o aquecimento de volta ao espaço. Foi o que aconteceu dia 8 de março, quando uma ejeção de massa coronal (bolha de plasma ejetada do Sol para o espaço4) impulsionada por uma labareda classe X5 acertou o campo magnético terrestre. Partículas energéticas “choveram” depositando a energia aonde tocavam. Isto foi o que gerou maravilhosas auroras boreais nos pólos e aquecimento significante em toda a Terra. A tempestade acabou, como observado, mas alguns cientistas esperam mais por vir.

Da universidade de Michigan, um cientista e compositor estudou a tempestade através de sons provenientes do embate das ondas de plasma. Com o auxílio de um espectrômetro de plasma com imagem rápida, Alexander transcreveu horas de informações em um formato de segundos de freqüências de áudio. Com a nova ferramenta, os cientistas ainda esperam poder “escutar” o que o universo não nos revela visualmente5. Quem não gostaria de ouvir o que os ventos solares não nos têm a dizer?!

Figura 2: Imagem do Sol em 06/03, tempestade solar a caminho.
FONTE: CIÊNCIA E SAÚDE6.

Bibliografia

  1. PHILLIPS, T. Solar Storm Dumps Gigawatts into Earth’s Upper Atmosphere. Disponível em: http://www.nasa.gov/mission_pages/sunearth/news/solarstorms-power.html>. Acesso em: 18 abr.2012.
  2. SOL.< http://pt.wikipedia.org/wiki/Sol#cite_note-lodders>. Acesso em: 20 abr.2012
  3. DICKINSON, D. Remembering the Super Flare of 1859. Agosto, 26, 2009. Disponível em: http://astroguyz.com/2009/08/26/remembering-the-super-flare-of-1859. Acesso em: 24 fev.2012.
  4. REES, M. Universe- The Definitive Visual Guide. Pág. 120-121. Londres.
  5. ESTADÃO. Pesquisador cria sons para tempestade solar. Acesso em 29 abr. 2012.
  6. CIÊNCIA E SAÚDE. Galeria de fotos de tempestades solares. Disponível em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/fotos/2012/03/veja-galeria-com-tempestades-solares.html#F390985. Acesso em: 01/05/2012.

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