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Astronomia ou Astrologia

Si Belle, La Science — By on fevereiro 21, 2012 at 19:59

No inicio da minha graduação, um professor do primeiro ano, Fernando Cachucho, por quem tenho uma profunda admiração, me fez um desafio: durante um ano acompanhar horóscopos de jornais e ver a ligação e coerência entre eles. Além de aceitar e fazer o desafio proposto fui além. Mandei fazer um mapa astral meu e um de meu primo, que nasceu no mesmo dia que eu, em ano e hora diferentes, e de mais duas pessoas, com signos diferentes.

Depois de analisarmos os mapas, concluímos que todos eles “previam” ou diziam as mesmas coisas, para todas as pessoas. Só mudavam a ordem das afirmativas. Porque as pessoas, em geral, possuem as mesmas qualidades e os mesmos defeitos, variando muito pouco quando confrontamos suas individualidades com as características de grandes grupos. Que é o que faz a astrologia: estabelece uma série de características para grandes grupos de indivíduos, conforme os seus signos.

 Apesar de nossas vidas serem afetadas por estrelas, planetas e corpos celestes, as leis físicas do movimento podem explicar perfeitamente essa interação e posso garantir que não há nada de místico. Na realidade, a única coisa em comum entre astronomia e astrologia é o radical grego – astrós, estrela – que as inicia.

Elas já andaram juntas, sim. E se confundiram, na antiguidade. Até que Cláudio Ptolomeu (90 d.C. 168 d.C. ,aproximadamente), cientista de origem grega, nascido na cidade de Ptolemaida Hérmia, separou as duas, escrevendo o livro, chamado Tetrabiblios, onde sugeria que a ASTRONOMIA FOSSE CONSIDERADA UMA CIÊNCIA. E não foi só isso: nele, Ptolomeu afirmava que a Terra não era o centro do Universo. Como vocês podem perceber, Galileu Galilei (1564-1642) não foi o único “culpado”. Mas essa é outra história.

Esclareçamos bem a diferença entre as duas matérias, Astronomia e Astrologia.

O astrônomo se preocupa com a origem, a evolução, composição, classificação e dinâmica dos corpos celestes. Possui, para isso, uma formação superior e um domínio da física e da matemática.

Já a astrologia não é exatamente uma ciência, apesar de muitos a classificarem como tal.  Ela dá ênfase a apenas um grupo de astros dentro do nosso Sistema Solar. Dita a conduta moral e, muitas vezes, o destino do indivíduo, baseando-se nas posições e deslocamentos no céu desde a data e hora do seu nascimento. Sua visão do Universo é baseada em princípios místicos de sua origem e existência.

Como demonstrou nossa pequena experiência, os horóscopos publicados em jornais e revistas e os chamados mapas astrais só mudam a ordem das “previsões”, pois elas são as mesmas para, praticamente, todas as pessoas. E, conforme as leis matemáticas, “a ordem dos fatores não altera o produto”. Então tanto faz você ler um horóscopo do ano de 1999 ou do dia de hoje.

Duvida? Então faça a experiência. Eu o desafio.

Trecho da série COSMOS, estrelada por Carl Sagan, astrônomo americano (1934-1996) 

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7 Comments

  1. Esse assunto é uma polêmica histórica, realmente. Galileu, embora utilizasse os conhecimentos astronômicos para explicar fatos, não gostava de relacioná-los à Astrologia, que, mais fortemente ainda naquela época, fazia parte do pacote da magia negra e bruxaria. Os horóscopos dos jornais e magazines são genéricos mesmo, como você disse. Estudando a fundo a Astrologia, tomando a carta natal como base, que representa a posição dos astros em um momento único, é bem diferente. Embora possa repetir alguns aspectos, já que são relacionadas características de acordo com a natureza de cada astro, a interpretação é bem mais complexa, incluindo arquétipos e a experiência humana através dos tempos, guardadas no inconsciente coletivo. Dependendo da forma e da finalidade para a qual seja utilizada, assim como qualquer estudo, pode sim, ser baseada em sistema de crenças, misticismo. A Astrologia utiliza os dados levantados pela Astronomia e compõe um estudo relacionado aos comportamentos humanos. Desde os tempos da Inquisição, a Astronomia luta para separar misticismo e crença daquilo que consideram a observação e comprovação científica dos fatos -(é possível perceber a mesma tendência no seu texto). A luta continua. Quero ressaltar, porém, que nós, que estudamos sobre o psiquismo humano, também seguimos com essa luta, numa postura também científica, buscando um discernimento cada vez maior, visando o desenvolvimento da consciência.

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    Cibele Resposta:

    Rosemary, em primeiro lugar gostaria de agradecer pelo comentário e participação. A questão é que a física é baseada em dados científicos, como vc msm disse, existe também, além da matemática, a experimentação. Na física, precisamos dos dados teóricos e experimentais. Quando uma teoria é lançada, ela é exaustivamente calculada e sempre que possível experimentada. São observações, contas e mais contas e dados experimentais. Os exoplanetas, por exemplo, ninguém vê um, mas através da força gravitacional que a estrela exerce sobre ele e vice versa pode-se medir essa influência gravitacional.É acoplado um aparelho chamado espectógrafo no telescópio, esse aparelho lê os comprimentos de onda luminosa que a estrela emite, claro que a coisa é mais complexa que isto. Isso sim é uma comprovação científica da influência de um corpo sobre o outro. No caso da astrologia, além dos cálculos, há uma comprovação experimental de que existe uma influência de Júpiter,por exemplo, naquele determinado dia, hora e ano teve sobre uma pessoa? Acredito que não, mas se houver, gostaria muito de conhecê-lo. A ciência lida com fatos reais, não é pretensão, mas só acreditamos em um fato quando ele realmente pode ser provado. O cientista é cético, tanto é que não é só em casos que relaciona aquilo que chamamos de pseudociência, até entre nós mesmos. Bem se vê o caso dos neutrinos, se vc estiver acompanhando, vai ver que a maioria é cético em afirmar que os “danadinhos” viajaram acima da velocidade da luz. Então, como vc pode perceber, até os neutrinos, não está provado, não pode afirmar e ponto! O nosso site, assim como todos os cientistas, pelo menos a maioria de cientistas sérios, querem esclarecer o maior número de pessoas possíveis para que não sejam vítimas de pseudocientistas enganadores e mentirosos, e entenda, não me refiro a todos, pois tem pessoas sérias também. Mas, quando não se pode provar não é ciência e temos que ter conhecimento para discernir a verdade da mentira para que não sejamos enganados, me refiro em relação a tudo na nossa vida, na política, no trabalho e etc. , sempre estamos a mercê de pessoas assim. O trabalho do Inape, assim como dos cientistas é levar conhecimento e cultura e não desmerecer ninguém. Obrigada pelo comentário e gostei muito de sua opinião, é muito válido esse esclarecimento, tanto de um lado (astronomia) quanto do outro (astrologia).
    Abços

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    dovair Resposta:

    Primeiramente os neutrinos não viajam acima da velocidade da luz, este mês já foi comprovado. segundo perante, a relatividade geral e os postulados da mecânica quântica, em hipótese alguma a teoria geocentrista da astrologia poderia ser considerada como ciência.

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  2. Um ótimo texto esse!!
    Infelizmente pessoas se deixam levar por “tirinhas” de jornal sobre destinos descritos pela astrologia.
    Lembro-me de uma frase em que S. Weinberg escreveu em seu livro: Sonhos de uma teoria final: Se os físicos fossem parar para analisar todas as pseudociências, como astrologia, tarô, telecinese entre outros, eles não iriam fazer mais nada de suas vidas. Logo, temos que nos limitar a estudar coisas que são matematicamente definidas e que tem algum sentido lógico e conceitual.

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    Cibele Resposta:

    É mesmo Jonas, vc tem razão. A nossa cultura é carente de acreditar em “algo” e em “porques”, não conseguem lidar com “o acaso” ou com a lógica.

    Obrigada pelo seu comentário Jonas e também gostei muito do seu artigo, só não comentei pq estou numa correria aqui, mas Valeu!!!!!

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  3. Fabio disse:

    Há algum tempo eu trabalhava em um jornal de bairro, e no fechamento, a última coisa a ser feita era o horóscopo. O que eu fazia? Pegava uma edição do mês anterior da “Folha de São Paulo” (de qualquer dia) e simplesmente copiava tudo.
    O que eu mais via depois que o nosso jornal ia para a rua era gente lendo o tal horóscopo e dizendo que estava tudo certinho…
    Particularmente, eu nunca acreditei em horóscopos, astrologia ou coisas relacionadas, mas depois dessa, passei a acreditar ainda menos…

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  4. jair junior disse:

    quando eu crescer quero ser um excepcional estudante de astronomia.

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