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A estratégia por trás da “Leitura Fria”

Si Belle, La Science — By on janeiro 15, 2012 at 16:17

Quem não gostaria de saber o futuro? Imagine você conseguir saber seu futuro, saber que vai cometer vários erros, mas não pode mudá-lo, afinal, já está traçado? Pois é assim mesmo que muitos videntes, médiuns e pseudocientistas veem as coisas.

Ah! Mas tem outra coisa: afinal, segundo eles, temos livre arbítrio. Mas o que é livre arbítrio? É a liberdade de tomarmos decisões, independentemente da vontade de um deus ou da sua decisão estar certa ou errada.

Opa! Então como existem pessoas que preveem o futuro, se podemos mudá-lo a qualquer momento? Se deus é onipresente, onipotente e nada acontece sem a sua permissão ou consentimento, cadê o nosso livre arbítrio?

Estranho!

Mas não vou questionar deus, afinal, ele não tem nada a ver com isso.

Os métodos científicos têm revelado confiança no sobrenatural, mas não totalmente. Em inúmeros estudos feitos, videntes ou pseudocientistas utilizam jogos estratégicos com métodos bastante previsíveis. Utilizam uma técnica que, traduzida para o português, chamou-se Leitura a frio.

Existem várias estratégias que induzem as pessoas a verem significados e pormenores pessoais em coisas sem sentido. Se não funcionar, mudam a estratégia e sugerem à pessoa que reflita em casa, pois “estão tendo uma forte visão” ou uma “forte sensação”. Mas como “sugestão”, a pessoa sempre vai encontrar um elo dentro de sua imaginação.

A pseudociência, assim como a ciência, faz previsões. Mas a diferença é que na pseudociência não há uma evidência e nenhum teste para a comprovação de sua falsidade. Não há nenhum ceticismo que abra a possibilidade de comprovação prática, através de testes.

Os astrólogos, por exemplo, afirmam que estamos numa conexão direta com os mecanismos do cosmo. A astrologia é muito antiga, mas na astrologia de hoje usam dados científicos para fazer previsões ou “adivinhar” o comportamento de cada ser humano de acordo com o dia, a hora e o ano de nascimento, calculando o movimento de corpos celestes para forjar revelações astrológicas. Isso é uma astrologia disfarçada de ciência, pois não tem nada a ver com a astrologia de antigamente.

No mundo quântico, por exemplo, podemos prever onde está um elétron dentro do átomo ou a probabilidade de uma determinada partícula radioativa decair durante certo intervalo de tempo. Mas existem sistemas que nem a física consegue prever e duvido que algum vidente o consiga, pois são realmente imprevisíveis e são chamados “sistemas caóticos”

O clima, por exemplo, é caótico. Por isso as previsões de tempo ás vezes erram. No Brasil, chamamos de “efeito borboleta” e foi essa barreira imposta às boas previsões que levou o cientista Edward Lorenz a questionar se “as batidas das asas de uma borboleta no Brasil pode desencadear um tornado no Texas”. Mas, mesmo em um sistema caótico, os cientistas conseguiram encontrar uma ordem e matematicamente ordenam o caos. Mas duvidam que os videntes, médiuns ou pseudocientistas consigam tal proeza.

A ciência também investiga o que há por trás dos tais “poderes psíquicos”. E o que realmente se descobriu, pelo menos até agora, foram técnicas bastante sutis para simular o que chamam de “poderes adivinhatórios ou mediúnicos” ou algo parecido. Apesar das tentativas, a ciência ainda não encontrou uma ligação mental ou “espiritual” a ponto de haver essa qualquer tipo de troca de informações entre o mundo físico e o mundo “paranormal”.

Tivemos que percorrer um longo caminho para compreender a natureza e chegarmos ao ponto que chegamos. Os avanços científicos e tecnológicos são muitos. Não tememos mais a ira de um deus quando está relampejando e não derramamos mais chumbo derretido nas botas das mulheres por serem bruxas, como acontecia alguns séculos atrás. Deveríamos estar orgulhosos disso, pois a ciência e a tecnologia estão nos  fazendo evoluir cada vez mais, e a ciência não mais se curva às superstições e às demagogias do passado. E agora, nesse século 21, temos que refletir se continuamos a  ser mais céticos e questionadores. Afinal, a pseudociência é um gigantesco e lucrativo negócio. Tão lucrativo, que há escolas de astrologia e até universidades de grande prestígio que já tiveram ou estão criando cursos de astrologia. Falaremos disso no próximo artigo.

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