De Planilândia a Pontolândia

Si Belle, La Science — Por em novembro 26, 2011 as 15:04

Ao ler o livro Em busca da empresa Quântica, de Clemente Nóbrega, fiquei maravilhada com a maneira simples como ele expõe a história da física e a Física Quântica, pois esse sim é um mundo paralelo.

Para começar, teremos que mudar a linguagem, quando falamos de quântico. Por exemplo, no mundo quântico não usamos o termo massa, o correto é energia. Pois, na quântica não existe nada de material e tudo é abstrato.

Mas como entenderemos que massa e energia são equivalentes, se aprendemos que E=mc?

No século V a.c., o filósofo grego Heráclito, proclamou que tudo era feito de fogo, hoje só mudamos o termo, ao invés de fogo, usamos o termo energia. Werner Heinserberg concorda comigo (na realidade foi ele quem disse isso!).

O nosso tão famoso Einstein e um não tão famoso, mas tão consagrado quanto, Planck, revolucionaram a física com a idéia do Quantum, quando estabeleceram que as coisas não eram contínuas, como acreditavam. E Einstein mostrou que a matéria é constituída de átomos e, assim, uma nova linguagem foi criada. Apesar dessa revolução, não dispunham da idéia de que todas as causas são precisas e que caberia à física descobri-las.

Mesmo assim, Einstein, mais uma vez, surpreende com a sua idéia de curvatura do espaço-tempo e a Relatividade Geral. Para ele, a gravidade não era uma força de atração, era um efeito geométrico.

Para entendermos essa história de curvatura do espaço-tempo vamos imaginar dois mundos além desse em que vivemos. Um é composto apenas de seres que seriam linhas bem finas, onde só existiria uma dimensão, o comprimento. Chamaremos esse mundo de Pontolândia.

Nesse mundo, as linhas não se conhecem e nem conseguem conceber a idéia de um triângulo, pois é composto apenas por infinitos pontos, ou seja, uma reta.

O outro é um mundo de uma folha plana, com apenas duas dimensões chamado Planilândia, onde as criaturas são planas e se movem apenas nessas duas dimensões. São achatadas e a única coisa que sabem é que duas retas paralelas nunca se encontram sobre o seu mundo, o mundo da folha de papel, mas conhecem o Teorema de Pitágoras e sabem também que a soma dos ângulos internos forma 180 graus (a Planilândia é um povo muito mais evoluído).

Agora vamos unir os dois povos, ou melhor, as criaturas e nós. As criaturas da Planilândia, a princípio, nem percebem a diferença entre o mundo deles e o nosso. Mas eis que, um cientista planilandiano resolve fazer uma “louca experiência”, com dois feixes de laser: assim ele observa que os dois feixes, após alguns quilômetros, se aproximavam um do outro. E após vários experimentos, feitos por vários cientistas, (inclusive em Pontolândia) conseguem perceber que a soma dos ângulos internos não vale 180 graus e, consequentemente, o tão conhecido Teorema de Pitágoras não é o único que funciona nesse novo mundo.

Agora, saindo do terreno da imaginação e voltando à realidade, Einstein estava certo, mas até certo ponto, pois no mundo da Física Quântica, a física de Einstein não funciona, assim como na Teoria da relatividade, Newton, com seu postulado sobre o movimento uniforme, também não funcionou.

De 1926 em diante, surgia uma nova linguagem física. A Física Quântica. Mas Einstein não conseguia admitir a idéia de uma realidade que fosse governada pelo acaso, pelo imponderável e pelo livre arbítrio, afinal: “Deus não joga dados”. E foi assim até o fim da sua vida.

A Física Quântica não se baseia no senso comum, pois é uma construção consistente do ponto de vista matemático, é um mundo “infinitamente pequeno”.

Os “objetos quânticos” não têm uma causa definida. Os elétrons, por exemplo, dentro do átomo, saltam aleatoriamente, por isso ninguém sabe quando vão saltar, saltam quando “bem entendem”. E na quântica, só pelo fato de estarmos observando alguma coisa podemos alterar o seu valor de medida.

Quando os físicos resolveram fuçar dentro dos prótons, dos elétrons e dos nêutrons, descobriram partículas que denominaram Partículas elementares.

O que elas são?

Ninguém sabe. A nossa “pobre linguagem” não tem parâmetros para descrevê-las. A única língua capaz de descrever essas partículas é a linguagem matemática, que descreve, mas não interpreta.

A Física Quântica é a responsável por toda essa tecnologia que conhecemos, desde uma simples luz de led até robôs sofisticados, como é o caso do Curiosity, do artigo anterior.

Assim, já saímos no mundo da Pontolândia, da Planilândia, agora precisamos sair desse nosso mundo para ingressar e conhecer o Mundo Quântico, onde nada é certo, mas nada é incerto e tudo é realmente relativo dentro de possibilidades quânticas.

Tags: , , ,

0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário