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Extraterrestres

Contos — By on abril 9, 2011 at 9:01

Por Aristheu Alves

aristheu@seaacaracatuba.com.br

Representante e vendedor que eu era, de uma indústria de chocolate de São Paulo, todos os meses eu viajava para o Estado de Santa Catarina, setor de minha responsabilidade para fazer visitas aos clientes cadastrados que assiduamente faziam seus pedidos de chocolate. Periodicamente viajava para aquela região, pois, esse era o meu trabalho e como vendedor, dependia das vendas que fazia porque meu salário era por comissão.

Numa pequena cidade no sul de Santa Catarina onde cheguei pela primeira vez, hospedei-me no principal hotel da cidade e durante o dia procurava conhecer os novos clientes daquele lugar, mas, fiquei surpreso com certos comentários que ouvi e então percebi que coisas estranhas estavam acontecendo naquele lugarejo e com isso a população vivia amedrontada. Fiz daquela cidade um posto avançado para o meu trabalho. Saia de manhã no meu carro para visitar as cidades vizinhas e voltava ao entardecer, depois de um dia árduo de luta para angariar pedidos de chocolate. A vida do vendedor depende de muita paciência e persistência, atributos necessários para quem deseja ganhar boas comissões sobre as vendas. Já no quarto do hotel, para aliviar o estresse, ligava o televisor para ver o noticiário, mas, as notícias eram desanimadoras e tudo mostrava que alguma coisa de anormal estava acontecendo naquela cidade catarinense. No dia seguinte quando lia as manchetes do jornal, fiquei surpreso com mais noticias esquisitas que me deixavam apavorado. Então, tomei a decisão de fazer uma investigação a respeito, por conta própria e passei a agir como se fosse um repórter.

Nas empresas onde eu me apresentava como vendedor, aproveitava e perguntava aos funcionários sobre o que estava acontecendo naquela cidade onde reinava aquele estranho pressentimento que dominava seus habitantes. Também, nas ruas por onde passava, entrevistava as pessoas, mas, ninguém me dava uma resposta que esclarecesse a minha curiosidade, porém, eu percebia que a população tinha medo de alguma coisa mas, não revelava. Depois de quinze dias trabalhando naquela região, eu precisava voltar para a capital paulista, porém, decidi que ficaria alguns dias mais quando percebi que minha investigação particular poderia dar resultado, depois que conversei com diversas pessoas idosas, observei que algumas falavam frases bíblicas como, “Fim do Mundo”, Final dos Tempos” e “Apocalipse”.

Os jovens não se envolviam com o assunto dominante, enquanto que os mais velhos viviam preocupados imaginando que algo terrível poderia acontecer a qualquer momento. Uma senhora aposentada, dona de uma lanchonete me garantiu que um freguês que lá apareceu era estranho e causava medo, pois, devido ao frio intenso, ele usava uma roupa colante que cobria até a cabeça, deixando apenas o rosto de fora e mostrando uns olhos grandes, amarelos e brilhantes como o ouro. Ao tomar conhecimento daquela revelação, fiquei assustado, acreditando que o povo daquela cidade estava perdendo a razão ou, de fato, o mundo estava passando por certas transformações a começar por aquele lugarejo.

De vendedor, passei a repórter e também investigador. Meu desejo era descobrir novos fatos que pudessem concretizar tudo o que eu já estava pensando, até numa investigação da minha curiosidade alguém me falou sobre a aparição de “Discos Voadores” naquela região e ainda afirmou que os ET’s já viviam rondando a cidade, mas, seria verdade ou apenas alucinações? Fiquei em dúvida! Fiquei apreensivo! Estaríamos então no “Final dos Tempos?” Quem podería me dar a resposta? O padre? O pastor evangélico? O médium espírita? Não sei. A verdade é que naquela noite eu não consegui dormir plenamente porque tive vários pesadelos e no dia seguinte acordei cansado, meu corpo estava um verdadeiro bagaço. No hotel, enquanto tomava o café da manhã, dei uma rápida olhada no jornal e deparei com a manchete, “Objeto Luminoso Sobrevoou a Cidade”. Eu que nunca acreditei nessas histórias de estranhos objetos voadores, fui ficando preocupado. O pior de tudo aconteceu depois… Por todos os lugares por onde andava, eu sentia que alguém me acompanhava, mas, eu nada via, era como se fosse uma assombração a me seguir. Por causa disso, o meu trabalho de vendedor estava sendo prejudicado, uma vez que passava a maior parte do tempo pesquisando, entrevistando ou investigando sobre aquele assunto que tomou conta da cidadezinha.

Quase todos os dias havia comentários a respeito na emissora de rádio local. Foi então que percebi o motivo da angustia daquela população. A realidade era inacreditável! A pequena cidade catarinense estava sendo invadida por criaturas de outros mundos. Isso seria para o bem ou para o mal? Seria bom para o progresso da Terra? E as minhas interrogações ficaram no meu pensamento sem nenhuma resposta. Numa segunda-feira de manhã sai no meu Fusca para visitar os comerciantes de uma cidade vizinha. Na volta ao anoitecer, quando me dirigia para o lugarejo que adotei, já na entrada da cidade, antes de atravessar a ponte de um conhecido rio, fui surpreendido por um punhado de luzes coloridas que surgiram no céu e vinham em minha direção, mas, de repente, aquelas luzes foram se ajuntando até que formaram uma grande bola luminosa. Fiquei deslumbrado com o que vi, mas, aquela bola com aparência de uma nave, atravessou uma montanha e parou acima do meu carro projetando uma claridade indescritível e o motor do carro parou de funcionar. Assustado saí para fora do veículo e com a intensidade daquela luz, senti que estava desmaiando e perdi a noção de tudo…
Eu estava num lugar maravilhoso. O céu era cor-de-rosa, enfeitado por diversas luas. O sol era azulado e seus raios eram tão suaves que não chegavam a queimar a pele. As casas de forma esférica para desviar a força do vento. As pessoas eram fisicamente perfeitas e quando me olhavam eu sentia que elas liam meu pensamento. Não vi nenhum veículo que se deslocasse no chão. Todo o transporte era feito pelo espaço numa espécie de naves redondas, silenciosas e velozes que cortavam o ar a todo instante, de uma cidade para outra. Os homens, tudo sabiam, pois, além da pintura a óleo nas telas, eram músicos, escultores, escritores, mecânicos, engenheiros, astrônomos, farmacêuticos e dominavam também a medicina, foi o que pude constatar quando sob a orientação de um professor, visitei várias salas de trabalho.
Em outros lugares vi crianças que se divertiam vendo num supertelevisor, imagens das grandes cidades como Nova York, Tóquio, Paris, Londres ou Rio de Janeiro. Naquele lugar estranho, não vi nenhum animal. No cenário não havia árvores e a vegetação era rasteira com cores variadas. Dentro das casas reinava suave música e uma iluminação livre de fios e de lâmpadas. Aquilo tudo me fascinava. Seria um sonho? Eu estaria em outro mundo?

Como se fosse num passe de mágica, apareci na estrada onde havia deixado o meu carro para apreciar aquela misteriosa bola luminosa que surgiu no céu, mas, o meu Fusca não estava lá no lugar onde eu o havia deixado. O sol já estava alto e era grande o movimento de veículos que passavam pela ponte em direção à pequena cidade. Tive que pegar uma carona. Chegando lá, fui direto à Delegacia de Polícia para fazer um Boletim de Ocorrência. Eu estava certo de que o meu carro havia sido roubado. Contei ao delegado o que tinha acontecido e falei sobre as horas que fiquei perdido, talvez em outra dimensão, ele soltou uma gargalhada e disse que eu estava completamente louco.

— Você afirmou que deixou seu carro do outro lado do rio, perto da ponte, ontem ao entardecer, mas, há uma coisa errada em tudo isso, exclamou o delegado. Irritado eu questionei e ele garantiu que o meu Fusca foi encontrado dentro de um curral numa fazenda não muito longe da cidade e que o fazendeiro ficou chocado sem saber como pôde o carro aparecer no meio das vacas, Essa notícia me deixou transtornado, O delegado continuou:

— O gerente da fábrica de chocolate que você representa esteve aqui para comunicar o seu desaparecimento e também o dono do hotel onde você se hospedava, reclamou da sua ausência. Diante das palavras do delegado, fiquei tão decepcionado que acreditei haver perdido a memória, mas, insisti e supliquei-lhe para que me explicasse como foi possível acontecer tanta coisa se meu afastamento foi de tão pouco tempo? Então ele respondeu com muita autoridade:

— Amigo, me desculpe, mas, infelizmente você deve estar mesmo louco porque hoje está completando trinta dias do seu desaparecimento!

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4 Comments

  1. Julio Oliveira disse:

    É certo que muitos não acreditam em seres que tenham dado uma volta aqui pela Terra. Isso é bem lógico e até aceitável. Pois riram também de Galileu, quando ele afirmou que a Terra girava em torno de si mesma. A ciência de hoje já foi loucura no passado.

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  2. Roberto disse:

    Muito interessante seu relato caro amigo, mas sua história está muito parecida com o filme que estreou no mês passado chamado ” Área Q “, quem assistiu ou for assistir o filme, verá grande semelhança em varias situações, que enfoca o enredo do filme.

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    Gustavo José Moretti Resposta:

    Para conhecimento: O conto “Extraterrestres”, é uma obra da ficção, escrito por Aristheu Alves, que foi premiado em 2007 com o 1º lugar no concurso realizado pela Secretaria Municipal da Cultura de Araçatuba/SP.

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  3. Rodrigo disse:

    Amigo, pode dizer qual o nome da cidade de Santa Catarina que ocorreu tal experiencia extra-terrestre?

    Um abraço.

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