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Homenagem: Seu Candinho

E-Books — By on setembro 7, 2011 at 22:00

Olhar para o céu

Marilurdes Campezi (*)

BIOGRAFIA

“Seu Candinho”, Cândido Freitas Santos nasceu em Cravinhos, SP em 1908 e faleceu em Araçatuba, SP em 1987. Trabalhou em atividades rurais, mas foi na mecânica que realizou seus maiores sonhos: manutenção de maquinário a vapor; consertos de variados tipos de máquinas e objetos com outros mecanismos; invenções à frente de seu tempo, que culminaram com um grande telescópio. Montou a primeira oficina mecanográfica de Araçatuba, a primeira auto-escola; fabricou placas e outros produtos esmaltados. Inventou e patenteou vários equipamentos. Eram invenções à frente de seu tempo, que culminaram com um grande telescópio utilizado por grande número de pessoas curiosas e alunos das escolas araçatubenses. Era filiado ao PCB e participante de atividades socialistas.

Nunca pensei em “seu” Candinho como Cândido de Freitas Santos porque Candinho era mais chegado, mais próximo do meu mundo infantil.

A Rua Aquidabam é carregada de memórias da nossa cidade, e uma delas é a casa do “seu” Candinho, paraíso para a meninada, território repleto de coisas para se mexer e despertar a curiosidade.

Aquele “professor Pardal” não era assim tão alto, e falava apressadamente como se precisasse colocar para fora mais palavras do que podia. Sua cabeça andava sempre a mil por hora e suas aptidões iam desde plantador de café à mecânica geral que não lhe rendeu dinheiro, mas muita realização em sua vida. Hoje sei que suas invenções estavam sempre à frente de seu tempo: o velho vapor que movimentava a máquina de arroz, o moinho de fubá, o engenho de cana para produzir o açúcar, nada era segredo para o Candinho, desde os anos de mil novecentos e vinte.

Nos anos 30, casou-se e em 1942 veio para Major Prado, distrito de Araçatuba, onde, como mecânico geral, consertava máquina de costura, armas e outros artefatos.

Durante a segunda guerra mundial, com o racionamento dos combustíveis, “seu” Candinho chegou a projetar e adaptar motor de caminhão para ser movido a gasogênio. Produzia também lubrificantes para máquinas de beneficiar arroz e milho; a matéria prima eram mamona e pinhão bravo.

Enfim, inventou e patenteou vários objetos nos setores da mecânica, porém não conseguiu produzi-los por falta de recursos financeiros. Mesmo assim, construiu seu maior sonho: um telescópio e um laboratório de astronomia.

Nem é preciso dizer como “seu” Candinho era endeusado pela criançada da Rua Aquidabam. Já imaginaram o que é ter um poderoso telescópio como seu vizinho? Meus olhos de criança assim como de muitos outros nunca mais se esqueceram do que aquele homem sonhador nos ofereceu: poder ver o mundo fora da Terra.

Esteja onde estiver, por todos os seus sonhos, e porque todo gênio tem um pouco de loucura, desejo que “seu” Candinho esteja nos espiando através de seu telescópio lá nas alturas e possa sorrir por ter sido lembrado no centenário de Araçatuba, como alguém que nunca abandonou um sonho no meio do caminho.

(*) Marilurdes Martins Campezi é professora, escritora e membro da Academia Araçatubense de Letras.

Extraído do livro “Nos trilhos do Centenário – Passageiros de Araçatuba”

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3 Comments

  1. Marco Aurélio de Freitas Santos disse:

    Onde eu posso, pesquisar, para saber mais sobre esse homem ??

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  2. Marco Aurélio de Freitas Santos Júnior disse:

    Senhores, eu gostaria de saber um pouco mais desse brilhante homem , aonde posso conhecer essas histórias ???????

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  3. Carlos disse:

    Morei na casa dele ajudou na minha criação e também meus irmãos
    Grande homem grande pessoa

    [Responder]

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