Ranking de cidades com mais raios

Agência FAPESP – O Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), concluiu o novo ranking de incidência de raios nos municípios pertencentes aos estados cobertos pela Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas no biênio 2009-2010.

De acordo com o Elat, os dados reforçam pesquisas anteriores que indicam que grandes centros urbanos tendem a intensificar a ocorrência de tempestades.

Para toda a área monitorada, que engloba os estados do Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste do país, a incidência de raios no último biênio se manteve estável em relação aos biênios anteriores, com variações inferiores a 5%. Entretanto, considerando somente as cidades acima de 200 mil habitantes – que possuem maior urbanização – houve um aumento de 11% em relação à média dos dois últimos biênios.

“Tanto essas cidades têm mais tempestades, quanto elas estão, também, cada vez mais intensas, e a urbanização pode ser apontada como uma das principais responsáveis”, disse o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior.

Os resultados apontam que, em 2009-2010, os dez municípios com maior incidência estão localizados na região metropolitana de São Paulo e no sul do estado do Rio de Janeiro – com exceção de Belford Roxo.

“A presença das cidades do sul do Rio de Janeiro entre os dez municípios de maior incidência de raios se deve às características locais de relevo”, explicou Pinto Júnior.

A cidade fluminense de Porto Real aparece em primeiro lugar no ranking geral, com uma densidade de 27 raios por quilômetro quadrado por ano, seguida por São Caetano do Sul, em São Paulo, com 23 raios por quilômetro quadrado por ano.

“A ocorrência de tempestades possui uma variação espacial muito grande e, por isso, municípios menores têm maior chance de apresentar altos valores de densidade”, afirmou o pesquisador.

Em cidades grandes – com mais de 900 km2 – o máximo de aumento registrado foi de 97%. Já os municípios menores do que 100 km2 sofreram aumentos de densidade que chegaram a 320% no último biênio quando comparado com a média dos dois anos anteriores. Em São Paulo, o aumento foi de 42%.

O novo ranking foi feito com base em dados corrigidos pelo modelo de eficiência da rede denominado MED4, recém-desenvolvido pelo grupo, que é um dos mais precisos existentes no mundo para correção de dados de redes de detecção. O MED4 permite corrigir diariamente os dados da rede em função da intensidade das descargas que ocorrem numa determinada região.

O modelo é mais robusto que as versões anteriores utilizadas nos rankings de 2005-2006 e 2007-2008. “Os novos dados de densidade de raios são ainda mais confiáveis com o uso do modelo desenvolvido pelo Elat”, disse Pinto Júnior.

De acordo com ele, os resultados encontrados podem contribuir diretamente com a prevenção e proteção, assim como gerar informações úteis para o setor elétrico e, consequentemente, para a sociedade.

O novo ranking está disponível em www.inpe.br/elat, no link “Ranking de Municípios”.

Fonte Original: Agência Fapesp

Cana-de-açúcar resfria o clima local

Agência FAPESP – Boa notícia para o etanol. Uma pesquisa feita por cientistas do Departamento de Ecologia Global da Carnegie Institution, nos Estados Unidos, concluiu que a cana-de-açúcar ajuda a esfriar o clima local.

O estudo, publicado neste domingo na segunda edição da revista Nature Climate Change, nova publicação do grupo editorial britânico, aponta que o esfriamento do clima local se deve à queda da temperatura no ar em torno das plantas à medida que essas liberam água e à reflexão da luz solar de volta ao espaço.

O trabalho, liderado por Scott Loarie, procurou quantificar os efeitos diretos no clima da expansão da cana-de-açúcar em áreas de outras culturas ou de pecuária no Cerrado brasileiro.

Foram utilizadas centenas de imagens feitas por satélites que cobriram uma área de quase 2 milhões de metros quadrados. Os cientistas mediram temperatura, refletividade e evapotranspiração, a perda de água do solo por evaporação e a perda de água da planta por transpiração.

“Verificamos que a mudança da vegetação natural para plantações e pastos resulta no aquecimento local porque as novas culturas liberam menos água. Mas a cana-de-açúcar é mais refletiva e também libera mais água, de forma parecida com a da vegetação natural”, disse Loarie.

“Trata-se de um benefício duplo para o clima: usar cana-de-açúcar para mover veículos reduz as emissões de carbono, enquanto o cultivo da planta faz cair a temperatura local”, destacou.

Os cientistas calcularam que a conversão da vegetação natural do Cerrado para a implantação de culturas agrícolas ou de pecuária resultou em aquecimento médio de 1,55º C. A troca subsequente para a cana-de-açúcar levou a uma queda na temperatura do ar local de 0,93º, resultando no aumento líquido de 0,6º C.

Os autores do estudo enfatizam que os efeitos benéficos são relacionados ao plantio de cana em áreas anteriormente ocupadas por outras culturas agrícolas ou por pastos, e não em áreas convertidas da vegetação natural.

Em resumo, a cana tem vantagens nesse ponto em relação a outras culturas ou pasto, mas o melhor é manter o Cerrado, uma vez que a substituição desse bioma pela cana ou outra cultura leva ao aumento regional de temperatura.

O artigo Direct impacts on local climate of sugar-cane expansion in Brazil (doi:002010.1038/nclimate1067), de Scott Loarie e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Climate Change em www.nature.com/nclimate.

Fonte Original: Agência Fapesp

Superprevisão do tempo? Pergunte ao Tupã

Por Elton Alisson, de Cachoeira Paulista (SP)

Agência FAPESP – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou terça-feira (28/12), no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), o supercomputador Tupã.

Com o nome do deus do trovão na mitologia tupi-guarani, o sistema computacional é o terceiro maior do mundo em previsão operacional de tempo e clima sazonal e o oitavo em previsão de mudanças climáticas.

Não apenas isso. De acordo com a mais recente relação do Top 500 da Supercomputação, que lista os sistemas mais rápidos do mundo, divulgada em novembro, o Tupã ocupa a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.

Ao custo de R$ 50 milhões, dos quais R$ 15 milhões foram financiados pela FAPESP e R$ 35 milhões pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o sistema foi fabricado pela Cray, em Wisconsin, nos Estados Unidos.

O Tupã é capaz de realizar 205 trilhões de operações de cálculos por segundo e processar em 1 minuto um conjunto de dados que um computador convencional demoraria mais de uma semana.

Com vida útil de seis anos, o equipamento permitirá ao Inpe gerar previsões de tempo mais confiáveis, com maior prazo de antecedência e de melhor qualidade, ampliando o nível de detalhamento para 5 quilômetros na América do Sul e 20 quilômetros para todo o globo.

A máquina também possibilitará melhorar as previsões ambientais e da qualidade do ar, gerando prognósticos de maior resolução – de 15 quilômetros – com até seis dias de antecedência, e prever com antecedência de pelo menos dois dias eventos climáticos extremos, como as chuvas intensas que abateram as cidades de Angra dos Reis (RJ) e São Luiz do Paraitinga (SP) no início de 2010.

“Com o novo computador, conseguiremos rodar modelos meteorológicos mais sofisticados, que possibilitarão melhorar o nível de detalhamento das previsões climáticas no país”, disse Marcelo Enrique Seluchi, chefe de supercomputação do Inpe e coodernador substituto do CPTEC, à Agência FAPESP.

Segundo o pesquisador, no início de janeiro de 2011 começarão a ser rodados no supercomputador, em nível de teste, os primeiros modelos meteorológicos para previsão de tempo e de mudanças climáticas. E até o fim de 2011 será possível ter os primeiros resultados sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil com dados que não são levados em conta nos modelos internacionais.

Modelo climático brasileiro

De acordo com Gilberto Câmara, diretor do Inpe, o supercomputador foi o primeiro equipamento comprado pela instituição de pesquisa que dispensou a necessidade de financiamento estrangeiro.

“Todos os outros três supercomputadores do Inpe contaram com financiamento estrangeiro, que acaba custando mais caro para o Brasil. O financiamento da FAPESP e do MCT nos permitiu realizar esse investimento sem termos que contar com recursos estrangeiros”, afirmou.

O supercomputador será utilizado, além do Inpe, por outros grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climática (Rede Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas.

Em seu discurso na inauguração, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destacou a importância do supercomputador para o avanço das pesquisas realizadas no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, que foi concebido para durar pelo menos dez anos, e para a criação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global (MBSCG).

O modelo incorporará os elementos do sistema terrestre (atmosfera, oceanos, criosfera, vegetação e ciclos biogeoquímicos, entre outros), suas interações e de que modo está sendo perturbado por ações antropogênicas, como, por exemplo, emissões de gases de efeito estudo, mudanças na vegetação e urbanização.

A construção do novo modelo envolve um grande número de pesquisadores do Brasil e do exterior, provenientes de diversas instituições. E se constitui em um projeto interdisciplinar de desenvolvimento de modelagem climática sem precedentes em países em desenvolvimento.

“Não tínhamos, no Brasil, a capacidade de criar um modelo climático global do ponto de vista brasileiro. Hoje, a FAPESP está financiando um grande programa de pesquisa para o desenvolvimento de um modelo climático brasileiro”, disse Brito Cruz.

Na avaliação dele, o supercomputador representará um avanço na pesquisa brasileira em previsão de tempo e mudanças climáticas globais, que são duas questões estratégicas para o país.

Impossibilitado de participar do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, gravou um vídeo, exibido na solenidade de inauguração do supercomputador, em que declarou o orgulho da instalação no Brasil do maior supercomputador do hemisfério Sul.

“Com esse supercomputador, o Brasil dá mais um passo para cumprir as metas de monitoramento do clima assumidas internacionalmente e entra no seleto grupo de países capazes de gerar cenários climáticos futuros”, disse.

Fonte Original: Agência Fapesp

Sujeito a chuvas e trovoadas

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – A região Sudeste do Brasil deverá registrar no verão de 2011 um número de tempestades severas – formadas por altas descargas atmosféricas (raios), ventos fortes e chuvas intensas – maior do que a média dos últimos três anos, alerta o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Osmar Pinto Júnior.

A previsão é baseada em um algoritmo utilizado pelos pesquisadores do Inpe que, na última década, teve uma média de acerto de 80%, prevendo corretamente as condições climáticas em oito dos dez anos analisados. Mas, a exemplo de outras metodologias empregadas para fazer previsões de curto prazo de tempestades severas, o sistema ainda apresenta uma margem de erro relativamente alta, ressalva o pesquisador.

“As abordagens utilizadas até hoje para fazer previsões de tempestades severas, como dados de satélite, de rede e modelos meteorológicos, falharam. Como no Sudeste e, talvez, também em outras regiões do país esses eventos severos estão ficando cada vez mais frequentes, é preciso testar outras abordagens para prevê-los”, disse Pinto Júnior à Agência FAPESP.

Por isso, no Inpe já estão sendo testadas outras ferramentas, como modelos meteorológicos de alta resolução espacial, em escalas de 1 a 2 quilômetros, para tentar medir a concentração de gelo em nuvens, que é o fator determinante para a formação de raios. Outro exemplo são sensores de descargas intranuvem, que passam de uma nuvem a outra.

Reconhecido como um dos melhores indicadores para prever a severidade de uma tempestade, os dados sobre esse tipo de raio só eram captados no Brasil na região do Vale do Paraíba, no leste do Estado de São Paulo.

Mas um projeto de pesquisa realizado pelo Elat, em parceria com a empresa distribuidora de energia elétrica EDP Bandeirante, possibilitará que essas informações sejam captadas ainda no Espírito Santo, onde a empresa também atua.

Previsto para ser realizado ao longo de três anos, ao custo de R$ 2 milhões, o projeto, denominado ClimaGrid, visa a desenvolver um sistema computacional que integre diversas informações meteorológicas para monitorar tempestades severas.

Segundo Pinto Júnior, o fenômeno climático é responsável por um número significativo de falhas no sistema elétrico brasileiro e causa um prejuízo anual de mais de R$ 600 milhões às operadoras de energia no país com reparos nas redes de transmissão.

“As redes de transmissão no Brasil estão expostas diretamente aos fenômenos climáticos porque 99% são aéreas. Se conseguirmos prever eventos extremos, como tempestades severas, será possível às operadoras de energia fazer um planejamento preventivo da manutenção de suas redes”, disse o pesquisador no lançamento do projeto, que ocorreu em 3 de dezembro, em São Paulo.

Ao monitorar diariamente a probabilidade de descargas nuvem-solo (que descem ao solo) no território abrangido por suas redes de transmissão, as distribuidoras de energia poderiam planejar e tomar decisões melhores sobre o posicionamento de suas equipes, de forma que pudessem reparar rapidamente eventuais falhas no sistema.

Resultados de Temático

A primeira fase do projeto foi iniciada em novembro com a instalação de uma versão inicial do sistema computacional no centro de operações da empresa, situado em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. Na segunda, que está prevista para ser iniciada em 2011, os pesquisadores pretendem analisar os impactos das mudanças climáticas sobre todo o setor elétrico brasileiro.

“Os resultados do projeto também podem ter repercussões em outros setores que sofrem com impactos de fenômenos climáticos severos, como o de aviação e a defesa civil”, disse Pinto Júnior.

O cientista coordena o Projeto Temático “Impacto das mudanças climáticas sobre a incidência de descargas atmosféricas no Brasil”, apoiado pela FAPESP.

“Esse Temático, com previsão de término para o fim de 2013, resultará em muitos resultados aplicados. Um deles é o Clima Grid”, disse.

Fonte Original: Agência Fapesp

Nuvens aumentarão o aquecimento

Agência FAPESP – Uma das grandes incertezas a respeito das mudanças climáticas globais está nas nuvens. Como elas reagirão ao aquecimento do planeta – e com que consequências – é algo que tem intrigado os cientistas.

De um lado, estudos apontam que o aquecimento irá alterar as nuvens de forma a contrabalançar os efeitos dos gases estufa. De outro, pesquisas indicam que as mudanças nas nuvens aumentarão o aquecimento.

Um novo trabalho, publicado nesta sexta-feira na revista Science, reforça o lado negativo. Segundo o estudo, em escala global as nuvens, atualmente, influenciam o clima de tal modo que resulta na diminuição da temperatura na superfície do planeta. Mas elas perderão parte dessa capacidade de resfriamento. Justamente por culpa dos gases estufa.

Andrew Dessler, da Texas A&M University, nos Estados Unidos, analisou dados colhidos nos últimos dez anos por satélites dos padrões climáticos recorrentes El Niño (que causa aquecimento) e La Niña (que causa resfriamento).

As consequências dos fenômenos – mais calor ou mais frio – foram usadas para simular tendências na temperatura. Em um mundo mais quente, as nuvens mais elevadas – que tendem a segurar o calor proveniente da luz solar, que sem elas escaparia para o espaço – podem se tornar mais espessas ou se expandir em maiores áreas de cobertura. Essa resposta positiva das nuvens levaria a um aquecimento ainda maior.

Ou, então, os gases estufa poderiam engrossar e expandir as nuvens mais baixas, refletindo mais energia solar ao espaço e esfriando o planeta. Essa seria o que os cientistas chamam de resposta negativa.

A princípio, os cientistas poderiam estimar qual resposta seria prevalente em um cenário de aquecimento ao comparar a temperatura superficial com a quantidade de energia devolvida ao espaço. O problema é que registros disponíveis de tais perdas de radiação são insuficientes para revelar o que ocorreu no último século.

Dressler usou apenas dez anos de dados de satélite, que são considerados os melhores dados existentes. E removeu dos resultados as respostas devidas a outros fatores, como alterações no vapor de água.

O resultado geral do estudo apontou uma resposta positiva, isto é, de aquecimento. Ao avaliar os oito principais modelos climáticos globais, o cientista também encontrou uma resposta positiva.

Segundo Qiang Fu, da Universidade de Washington, o estudo é importante por confirmar modelos climáticos de aquecimento. “Os resultados não mostram qualquer evidência de uma grande resposta negativa das nuvens”, disse.

Mas Dressler reforça que os resultados podem ser aplicados para uma estimativa de curto prazo e que novos estudos são necessários para previsões de maior extensão.

O artigo A Determination of the Cloud Feedback from Climate Variations over the Past Decade (10.1126/science.1192546), de Andrew Dessler, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Fonte Original: Agência Fapesp

INPE recebe supercomputador climático

6/10/2010

Por Fábio Reynol

Agência FAPESP – Caminhões climatizados, com temperatura média de 10º C, entregaram 84 volumes na cidade de Cachoeira Paulista (SP) nesta terça-feira (5/10). A carga foi transportada pela Rodovia Presidente Dutra desde São José dos Campos, onde desembarcou no dia anterior, em um DC-10 que veio dos Estados Unidos.

Nas embalagens estão as partes do novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), adquirido por cerca de R$ 50 milhões por meio de apoio da FAPESP e do Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

“A parceria com o MCT permitiu a viablilização de forma rápida e efetiva e o Inpe garante excelente apoio institucional, inclusive na adaptação de programas feitos para modelos anteriores”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

O supercomputador foi fabricado pela Cray, em Wisconsin, nos Estados Unidos. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) é a unidade que recebeu a nova máquina. A montagem e a instalação deverão ocorrer ao longo de duas semanas.

Segundo o Inpe, logo após a montagem o supercomputador será ligado, passando por um processo de customização ao longo de mais quatro semanas, que envolverá a adaptação e instalação de softwares operacionais, monitorados pelo grupo de Operação e Suporte do CPTEC.

O processo de migração dos modelos operacionais de previsão de tempo, clima e ambiental do CPTEC, e daqueles relacionados às projeções de cenários de mudanças climáticas do Centro de Ciências do Sistema Terrestre (CCST), deverá ocorrer nos meses seguintes.

“Com esse equipamento, estaremos entre os cinco maiores centros de climatologia do mundo em capacidade de processamento”, disse Luiz Augusto Toledo Machado, coordenador geral do CPTEC, à Agência FAPESP.

O supercomputador apresenta desempenho de 244 teraflops (trilhões de operações de ponto flutuante) por segundo, executado por 1.272 nós, cada um deles com velocidade máxima de 192 gigaflops por segundo. A máquina atual do CPTEC para previsões climáticas tem 6 teraflops de capacidade.

O novo sistema terá 13 gabinetes, que serão ligados gradualmente. “Instalaremos inicialmente três gabinetes, que já fornecerão uma velocidade de processamento maior do que a capacidade atual instalada”, disse Machado.

De acordo com o Inpe, o sistema permitirá gerar previsões de tempo mais confiáveis, com maior prazo de antecedência e de melhor qualidade, ampliando o nível de detalhamento para 5 quilômetros na América do Sul e 20 quilômetros para todo o mundo.

Será possível prever ainda eventos extremos com boa confiabilidade, como chuvas intensas, secas, geadas, ondas de calor, entre outros. As previsões ambientais e de qualidade do ar também serão beneficiadas, gerando prognósticos de maior resolução, de 15 quilômetros, com até seis dias de antecedência.

A nova máquina também será fundamental para o desenvolvimento e a implementação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global, que incorporará todos os elementos do Sistema Terrestre (atmosfera, oceanos, criosfera, vegetação, ciclos biogeoquímicos e outros), suas interações e como esse sistema está sendo perturbado por ações antropogênicas.

“A FAPESP organizou esta iniciativa para que o Brasil possa ser um dos poucos países com capacidade para criar e analisar modelos climáticos globais. Isso é essencial para o interesse nacional, especialmente quanto à Amazonia e Atlântico Sul”, disse Brito Cruz.

Mudanças climáticas globais

Machado destaca que a supercomputação é fundamental na pesquisa climática, por permitir a simulação de diferentes cenários que envolvem um grande número de variáveis e diversos sistemas paralelos que se influenciam mutuamente. O comportamento dos eventos climáticos é reproduzido por meio do processamento de modelos que chega a demorar dias para gerar resultados.

Um dos avanços permitidos pelo alto desempenho do equipamento, de acordo com Machado, é a abertura de acesso a usuários externos ao Inpe. “Pesquisadores ligados ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, por exemplo, poderão utilizar o supercomputador para rodar seus modelos”, afirmou.

O coordenador do CPTEC ressalta que não se trata apenas de ganhar mais velocidade de processamento, mas de migrar para uma nova arquitetura computacional. “A computação vetorial, utilizada pelas máquinas atuais do Inpe, vem sendo substituída em todo o mundo pela nova arquitetura de computação massiva em paralelo. Isso também exigiu a adaptação dos códigos de programação dos nossos modelos para que rodem no novo paradigma”, disse.

Para receber o novo supercomputador, o CPTEC teve de executar obras de adaptação em suas instalações. Um sistema específico de arrefecimento a água está sendo instalado com a preocupação da preservação ambiental.

O consumo de energia elétrica praticamente triplicará, passando dos atuais 260 KVA para 880 KVA, o que envolve uma nova rede elétrica com novos equipamentos, como nobreaks, de grande capacidade. “Não basta aumentar a energia, temos de fazer isso de maneira segura”, frisou Machado.

Todos esses cuidados e adaptações exigem que os técnicos do Inpe façam uma instalação gradual do sistema computacional. Além disso, será necessário adaptar os programas, tarefa que ficará a cargo dos engenheiros de software. Também está previsto treinamento dos operadores do equipamento e, posteriormente, treinamento específico para os usuários.

Machado estima que o supercomputador deva entrar em operação parcial até o fim deste ano e que ele começará a rodar modelos climáticos no início de 2011 com toda a sua capacidade.

“O novo sistema permitirá o aprimoramento de modelos climáticos desenvolvidos no Brasil de todos os tipos – regionais, nacionais, de qualidade do ar, de ondas e outros –, melhorando a qualidade dos dados e impulsionando a pesquisa nacional em clima”, disse.

Fonte Original: Agência Fapesp

CPTEC lança novo portal

16/9/2010

Agência FAPESP – O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), acaba de lançar seu novo portal na internet.

Com a reformulação, o portal explora o uso de novas tecnologias na apresentação de seus conteúdos, como previsão de tempo por meio do Google Earth ou a partir do Sistema de Informações Geográficas Aplicadas ao Meio Ambiente (Sigma).

O novo portal oferece também a possibilidade de seguir os conteúdos do CPTEC no Twitter e dispõe de vídeos com previsões diárias do tempo e transmissão ao vivo de eventos.

A renovação do portal levou à criação de uma estrutura descentralizada no processo de geração e divulgação de informes e notícias, segundo o CPTEC. Anteriormente concebido de acordo com a estrutura das divisões do centro, o portal passa agora a ser mais amigável e voltado ao usuário.

De acordo com o CPTEC, o site conta atualmente com cerca de 5 milhões de acessos em média por mês, sendo que a consulta costuma ampliar 50% na ocorrência de eventos extremos, como chuvas intensas, ou mesmo às vésperas de feriados, para verificar a previsão do tempo.

Mais informações: www1.cptec.inpe.br

Fonte Original: Agência Fapesp

Riscos dos Raios

RAIO é uma descarga elétrica muito intensa, que ocorre em certos tipos de núvens e pode atingir o solo, causando prejuizos e ferindo pessoas.

É consequência do rápido movimento de elétrons de um lugar para outro. Os elétrons movem-se tão rapidamente, que fazem o ar ao seu redor se iluminar (um clarão conhecido como relâmpago), aquecer-se, resultando num estrondo, o trovão.

A chance de uma pessoa ser atingida por um raio é ínfima: apenas uma em um milhão. Em 30% dos casos, as vítimas morrem por parada cardíaca ou respiratória . Os 70% restantes costumam sofrer sequelas, como perda de memória e diminuição da capacidade de concentração.

A incidência de descargas atmosféricas no país (o Brasil é o país com maior incidência no mundo: cerca de 100 milhões de raios por ano) matou mais de 100 pessoas em 2000.

Queda de raio no Cristo Redentor

Queda de raio no Cristo Redentor

Somente no verão de 2001, houve a incidência de cerca de 15.000 raios na cidade do Rio de Janeiro. A foto ao lado mostra um raio atraído pela imagem do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

Os estados mais atingidos por raios são: Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, nesta ordem.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE (que estuda os raios através Grupo de Eletricidade Atmosférica – ELAT), o fenômeno causa prejuizos de US$ 200 milhões ao Brasil. Os raios afetam as linhas de transmissão de energia, de telefonia, as indústrias; causa incêndios florestais e mata pessoas e animais.

Ao atingir uma pessoa, o raio pode causar sérias queimaduras e outros danos ao coração, pulmões, sistema nervoso central e outras partes do corpo, através do aquecimento e uma variedade de reações eletroquímicas. A chance de sobreviver é de apenas 2%.

As pessoas também podem ser atingidas por correntes elétricas que se propagam no solo, a partir do ponto que o raio atingiu. São as chamadas descargas laterais.

TIPOS DE RAIOS

  • Raio Normal: Partículas com carga elétrica negativa (elétrons) correm por uma trilha invisível em direção ao solo. Pouco antes de tocarem o chão, atraem partículas elétricas de carga positiva.
    A carga positiva salta em direção ao céu e fecha o circúito elétrico, que aparece na forma de raio luminoso.
  • Raio Positivo: Neste tipo de raio, acontece o inverso. As partículas de carga positiva correm em direção ao solo e atraem as partículas negativas. Esse fenômeno era considerado raro, mas acontece com muito mais frequência do que se pensava.

COMO SE PREVENIR

Por trabalhar a céu aberto, o agricultor está mais sujeito aos raios do que os moradores das cidades que, por ocasião das tempestades, podem abrigar-se em suas casas.
A principal recomendação para evitar acidentes com raios é não sair de casa durante as tempestades. E se a chuva cair de surpresa ?

Se você estiver no campo, sem um abrigo próximo e sentir seus pelos arrepiados ou sua pele coçar, indicando que um relâmpago (raio) está prestes a cair, ajoelhe-se e curve-se para a frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não deite-se no chão, que é pior.

Outras recomendações importantes para a sua segurança são:

EVITE:

  • Segurar objetos metálicos longos, como vara de pescar, etc;
  • Ficar próximo de árvores, cercas, trilhos, postes e linhas de energia elétrica (que atraem os raios);
  • Permanecer no topo de morros ou cordilheiras;
  • Dirigir ou se abrigar em veículos sem capota, como tratores (alguns), motocicletas e bicicletas;
  • Usar equipamentos elétricos ou o telefone.

Fonte Original: Instituto de Tecnologia – UFRRJ

Mortes provocadas por raios dobram no Estado

Diogo Rocha
Sexta-feira – 29/02/2008 – 03h01

Araçatuba – De dezembro do ano passado até o dia 25 deste mês, 13 pessoas em todo o Estado de São Paulo morreram após serem atingidas por raios. O número divulgado pela Defesa Civil de São Paulo é bem superior ao registrado no ano de 2007, quando seis pessoas morreram, ou seja, quase o dobro de vítimas. Desses 13 casos, quatro foram na região de Araçatuba (duas no município e outras duas em Valparaíso). Os outros acidentes ocorreram em Itanhaém, Bertioga, Campinas, Cristais Paulista, Monte Aprazível, São Carlos, Guariba e Cruzeiro.

Para o pesquisador do Inape (Instituto de Pesquisas Espaciais) de Araçatuba, Jorge Nery, o calor é o principal motivo para o crescimento de ocorrências envolvendo raios. “Ele (calor) contribui para acelerar e potencializar os demais mecanismos que formam o raio”, disse Nery citando a água, o vento e a pressão eletromagnética como sendo os outros agentes que compõem parte da estrutura de um raio.

Levantamento do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais) de São José dos Campos mostra que em todo o Brasil foram 26 mortes causadas por raios somente nos dois primeiros meses de 2008, contra 18, nos três primeiro meses do ano passado. Segundo o Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), o Estado onde houve maior aumento na queda de raios foi o Rio de Janeiro, seguido por São Paulo e Minas Gerais. O coordenador do Elat, órgão ligado ao Inpe, Osmar Pinto Júnior, que acompanha a incidência de raios, explicou que a partir de março vai ser desenvolvido também um mapeamento dos municípios que registraram grandes quantidades de raios.

Ainda segundo acompanhamento feito anualmente pelo Inape de Araçatuba, a incidência de raios na região cresceu quase 38% em comparação com o mesmo período do ano passado. Em todo o Estado, o aumento chegou a 51%.

MAIS PERIGOSOS – Nery alertou que, com a elevação da temperatura, os raios estão cada vez mais fortes. “Não temos mais controle sobre isso”, alertou o pesquisador. Com essa mudança climática, a recomendação da Defesa Civil em dias de chuva forte e com raios é permanecer em local coberto (veja quadro com outras orientações). Todas as pessoas que foram atingidas por raios este ano, tanto nos casos da região quanto nas demais localidades, estavam em local aberto, sem proteção.

Os dois estudiosos apontaram o reflorestamento como uma possível saída para amenizar a incidência de raios no País. “Com mais árvores diminuímos as temperaturas”, comentou Nery.

De acordo coordenador do Elat, a quantidade de raios que caiu sobre Araçatuba, aproximadamente 500, está dentro da média registrada em anos anteriores. Com relação às mortes de Araçatuba e Valparaíso, Osmar as classificou como uma fatalidade.

No entanto, na opinião dele, o fenômeno La Niña (esfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico) é o maior colaborador para o aumento do número de raios no País. “Por enquanto ainda não é possível afirmar que o aquecimento global esteja provocando um número maior de raios. Sabemos que isso irá acontecer, mas calculamos para daqui a dez anos”, pontuou.

Fonte Original: Jornal Folha da Região